das coisas nocivas, só não largo de mim. foram tantas tentativas de abandono, mas continuo aqui. tenho um coração e um intestino, acredito no pé na estrada e na ressaca. fugi do meu caminho faz tempo e sigo tropeçando porque me recuso a olhar pro chão. vou chorar todas as lágrimas que o peito apertar, porque não quero desses comprimidos, não senhor. vivo a minha dor como vivo cada sorriso e sigo achando que a dor nos dá uma dignidade tremenda, onde todo mundo é igual epra quem a falha da ciência e o mito do progresso são só um bando de nada. brindo às noites em que há mais de mim por você e gosto mesmo de não me odiar quando você está por perto. e se a morte é a única certeza e a realidade fede e é muito feia, a gente já percebeu que a vida não é uma festinha.
já é dezembro
domingos e suas tristezas recolhidas
histórias mal-contadas
casais entediados.
eu fico de camisola
e me ponho a pensar
seja qual for o meu lugar,
só vou se você estiver lá.
sobre o tempo e as despedidas
tem um mês que nossa vida foi atropelada pela estupidez. acontece todo dia, com um monte de gente anônima e um dia aconteceu com a gente. nosso amigo morreu, nossa amiga ficou sem seu marido, amor e companheiro da vida.
nós ficamos com raiva, medo, impotência, tentando não dizer nada na falta de dizer a coisa certa. o Voodoo Bar, nossa casa de todos os dias, fechou as portas em luto, pela falta de forças em encarar memórias tão doloridas. de uma hora pra outra, vidas interrompidas, sonhos desfeitos.
mas – e sempre tem um mas – a vida não pára. e nem tem que parar. dia pós dia, a vida exige que a gente reassuma o controle do caminho e cuide, de fato, do que a gente pode intervir.
não sou adepta da auto-ajuda, mas confio no poder do tempo e da vontade. temos uma vida pra viver, até que ela deixe de existir. e tudo que a gente pode fazer é o melhor possível e torcer pra dar certo.
no meu quietinho deste feriado, desejei conforto pra vivi, que tanto cuidou da gente o tempo todo, e força e coragem à luciana e a letícia, minhas amigas irmãs, a quem reivindico o direito: vida, faça sua mágica.
noise and feelings
eu seria incapaz de dizer resumidamente o caminho musical que me trouxe ao / onde estou hoje. foi um caminho cheio de ruídos e interferências, mas alguns contatos fizeram toda a diferença. a barulheira que me parecia tão sentimental do sonic youth, sem dúvidas, deixou estacas nessa rota. era furioso, invasivo, emocionante.
esse take away show do thurston moore tá um presente pra um domingo ensolarado e introspectivo.
enjoy.
dias soltos no quintal
a banda sabonetes, do paraná, rodou uma tour fora do eixo entre junho e julho deste ano e acumularam, além de números muito bons, registros muito bem feitos, como este lindão, via clube de cinema (@clubedecine):
a pressão sobe ou baixa
quando a gente vê uma coisa emocionante, bonita ou terrível, triste, repugnante, essa pressão na cabeça, essa leseira que dá, é a pressão sanguínea caindo ou subindo? fica a pergunta.
I guess we’ll just have to adjust.
bowie + arcade fire: não tem como errar.
abandono
coitado desse blog, ultra abandonado. vou nem culpar a falta de tempo que um bocado é redundante, outro bocado nem é tão verdade assim.
só pra removimentar esse espaço, duas musiquinhas totalmente excelentes pra acompanhar essa chuva belíssima que cai lá fora, dando um tempo na secura do cerrado.
seqüência absurda
campograndese que reclamar, vai ficar preso no curral, ouvindo luan santana!

