um animal na selva suja da rua

verborragia pós-adolescente

sobre o modefica e uma vida menor

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uns pés de jabuticaba e um bocado de amor

uns pés de jabuticaba e um bocado de amor

Participei no fim de semana de uma série de palestras e conversas sobre o universo da moda, do consumo, passando ainda por veganismo, comércio justo, mercado, produção de lixo e empoderamento feminino, e como tudo isso pode interferir nas decisões que tomamos todos os dias.

O Modefica Offline marcou o primeiro ano do Modefica, um site que trata desses temas, e tem como filtro elementos como fair trade e cruelty free _comércio justo e livre de crueldade animal.

Diferente do que eu faço normalmente, falei muito pouco nos dois dias. Dediquei meu tempo a ouvir o que aquelas pessoas tinham a compartilhar. Pequenos excertos de suas experiências, o caminho que vinham trilhando, a importância de repensar hábitos, reconhecer o outro, os animais, reconhecer a estrutura doentia na qual estamos inseridos.
Existe uma beleza em encontrar outros com os mesmos suspiros. Existe um cansaço em ter de realmente olhar para tudo isso, mas acredito que a compensação seja uma vida menor e mais cheia. Talvez por isso tenho a cabeça ainda fervilhando tudo que senti e relacionei.

O ponto principal – ou talvez o mediador de todas as questões – é a relação que estabelecemos com o consumo. Considero-o ponto mediador porque dele parte nosso interesse em comprar roupa, calçado, maquiagem, produto de beleza, comida, hábitos, vícios, desejos, necessidades urgentes. Não ficamos imunes à propaganda e, como disse um professor certa vez, de repente sentimos que o café da manhã só será completo se tiver sucrilhos.

Essa reflexão vem me soterrando especialmente por culpa, e não posso ignorar a auto-crítica. Do mesmo jeito que o fast-fashion democratizou socialmente o acesso a roupas, calçados e acessórios, minha mudança para São Paulo me deu acesso ao mesmo fetiche: posso entrar em uma loja e sair de lá com uma roupa novinha.

Minha exclusão não era apenas financeira. Como mulher gorda, passei por uma sucessão de frustrações ligadas a tentativas de comprar uma roupa. Quanto mais formal, pior. Um ponta de raiva ainda me abate: olho para trás e me reconheço como alguém com muitos quilos a menos na balança, e uma tonelada de complexos e inadequações a mais.

fashrev
Porém, chegando a Sâo Paulo, dois “movimentos” estavam em andamento. As lojas populares começaram a investir em bom senso e numerações maiores e conheci marcas pequenas, quase caseiras, que produziam roupas de numerações diversas, mas que, principalmente, produziam um GG que cabe em mim. Resultado: muita compra desnecessária, impulsiva, feita somente porque a roupa me servia, como se isso me obrigasse a comprá-la.

No meio do meio drama pessoal pós-30 anos, a busca por sentido me atingiu de outra forma. Slow fashion, slow food, fair trade, cruelty free, orgânicos, naturais. São nomes meio empolados para o que, para mim, cai em dar novos significados, como reduzir, resgatar, manter, respeitar, voltar a fazer como na época em que as coisas eram feitas para durar (e a comida era feita para ser lembrada).

Num tempo de efemeridades, o simples é riqueza.

Participar do Modefica Offline reforçou uma pergunta que me faço constantemente: estaria eu (nós) construindo um novo fetiche da mercadoria? A Jana Rosa passeou pelo assunto dias atrás – o básico é trend na Europa. No fim, acho que não se trata de condenar o outro, e sim de assumir a própria responsabilidade sobre o mundo.

Observo o caminho e vejo o quão longo ele é, mas olho para trás e percebo o quanto já percorri. Reconstruo cada influência: a colega de trabalho vegetariana, minha febre com as ecobags, a reciclagem de papel, separar o lixo, abrir mão de alguns compras, encarar o vegetarianismo como realidade. Possivelmente a pratica e a leitura do yoga tenha alinhavado boa parte dessas referências. Ainda não sei exatamente como, nem de onde para onde, mas sinto que tudo passa pelo mesmo filtro de consciência: uma vida menor e mais cheia.

(volto no assunto)

Written by fernandabrigatti

12 de agosto de 2015 at 8:50 PM

recomeços nunca sobram

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prólogo:

hoje é 4 de junho, aniversário da Silvia, dia 11 de férias muito esperadas. resolvi fazer uma nova tentativa com esse blog, tentando reagir a algum desânimo com o rumo da minha própria vida – que passa, inexoravelmente por um drama profissional – e também com meu esgotamento pessoal com as redes sociais mais populares hoje, como o facebook. às vezes lido com lapsos egoístas-arrogantes de me achar desperdiçando epifanias com um muro de ódio, selfies e superficialidades. estou no meio disso tudo e me reconheço na busca por espaço no meio do nada. mas ao fim de uma pequena jornada de auto-análise, só me resta um suspiro: exaustivo.

> tomada 1

normalmente, me envergonho do que escrevi. tenho dezenas de rascunhos em docs, papéis, e às vezes abro um livro e de lá ressoam suspiros em páginas soltas e sem sentido.

porém, aos 30 anos, com dez anos e incontáveis horas da minha existência frente a um teclado, talvez seja hora de assumir o fluxo caótico e nem sempre belo ou poética de minhas sinapses e conter a auto-censura.

> tentativas

olho para o calendário e uma angústia percorre minha garganta. já passei por isso tantas outras vezes, mas o medo de retornar ao trabalho não é mais pelas horas a fio que dedico meu amor, perseverança e cérebro a uma empresa. é pela sensação nostálgica e sufocante de que o fim está próximo. pode ser em alguns meses ou levar alguns anos, mas ele chegará. e quem serei eu quando isso acontecer? o que terá restado do meu respeito e desejo por… pelo que, já nem sei mais.

> reflexões sobre o trabalho

ser jornalista tem uma ingratidão que nos é ensinada na universidade. sua família espera que você vá para a TV, seus colegas de outras profissões acham que você trabalha demais, você acha que trabalha demais, a hierarquia acha que todo mundo faz menos do que poderia.

fiz trabalhos incríveis sendo repórter. tive um certo nível de liberdade que só entendi anos depois. em são paulo, entendi o peso de trabalho verdadeiramente profissional, preocupando com a qualidade da apuração e de cada informação que vai para página do jornal. hoje, pessoalmente, credito isso muito mais às qualidades da editora com quem trabalho do que a qualquer outra questão estrutural.

porém, e onde mora o diabo, até quando será possível gastar tanto dinheiro em uma infraestrutura com gigantismo de espaços e concentração de decisões? até quando será possível investir tantas cifras na impressão de papel? e para onde vamos nós, que passamos anos apostando nossa vida e saúde em uma função fadada à redução.

> desesperanças

a mesma facilidade com que uma pessoa olha para outra e emite certezas sobre como aquela deveria seguir com a própria vida, sentamos em almoços e mesas de bares e suspiramos o que poderia ser a saída para não a manutenção de uma função, mas principalmente a continuidade de um ofício.

> esperanças irônicas

retorno, então, em uma tentativa, mais uma, de pensar sobre minha função no mundo, em relação à minha própria vida e existência. não paro de pensar em algumas afirmações de Nietzsche e Deleuze que ouvi repetidamente no curso sobre a tragédia no cinema e na filosofia.

se o homem inteligente busca a sobrevivência, o homem que pensa busca mais. o erro pode ocorrer quantas vezes forem necessárias e talvez só o pensamento nos liberte do peso da existência, nos desperte do amortecimento e da morte lenta pelo hábito. ainda tento entender se a tragédia (no sentido filosófico) liberta ou nos coloca flutuando no ar.

portanto, sigo.

há liquidez em tudo que toco, mas a palavra, o pensamento, a capacidade de refletir, de amar, de ter empatia com o outro, de reconhecer e diferenciar do outro, não nos serão tiradas.

… bon voyage.

Written by fernandabrigatti

4 de junho de 2015 at 3:25 PM

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não se assuste se eu lhe disser que a vida é boa

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um ano vivendo no relógio. poderia dizer que parece que foi ontem, mas a verdade é que parece ter sido sempre assim.

e só melhora.

“Pra quem vale mais o gosto do que cem mil réis
Eu sou, eu sou, eu sou o amor da cabeça aos pés”

Imagem

 

Written by fernandabrigatti

1 de março de 2013 at 1:16 PM

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2013 vai ser

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pick up your crazy heart and give it one more try

 

Written by fernandabrigatti

26 de dezembro de 2012 at 8:11 PM

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se é a reflexão que nos adoece, é ela também que nos cura

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tá todo mundo anestesiado e é por isso que eu vou preferindo os desequilibrados e buscando a paciência dos que me cercam, no meu próprio exercício de desgaste.

e é por isso que gostei muito da coluna do safatle, na folha ontem. acho que cês deviam ler. por aqui

Written by fernandabrigatti

27 de novembro de 2012 at 10:31 PM

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só os clássicos sobrevivem

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… das lições que a gente aprende aos poucos

“and when the night is cloudy there is still a light that shines on me
shine on until tomorrow
let it be”

(…)

Written by fernandabrigatti

27 de novembro de 2012 at 10:19 AM

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ventos natalinos

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e na minha casa não vai tocar simone.

Written by fernandabrigatti

26 de novembro de 2012 at 10:16 AM